Mar 15 2010
O que fazer com a sucata eletrônica
Não são apenas as garrafas pet um problema ambiental grave. Com a crescente demanda por novas tecnologias e o descarte cada vez mais frequentes de aparelhos considerados obsoletos, hoje o meio ambiente sofre com o despejo de quantidades crescentes de sucata eletrônica em lixões. A contaminação do solo por metais pesados de lixo eletrônico é um problema grave em vários países. Em Uganda, por exemplo, a concentração de ferro é de 77 miligramas, quando não deveria ser ultrapassada a marca dos 10 miligramas por litro. O chumbo é outro problema: enquanto sua concentração no solo não deveria passar de 0,1, lá chega a 1,4. Muitos metais são considerados causadores de câncer.
Em alguns países industrializados, há iniciativas para evitar que estes materiais valiosos terminem no lixo. Na Alemanha, por exemplo, há oito anos a organização ecologista alemã Deutsche Umwelthilfe deu vida a um projeto de reciclagem e, em cooperação com a empresa de comunicação T-Mobile, recolhe celulares usados. Os aparelhos são enviados gratuitamente e reciclados. Para cada aparelho, a ONG ambientalista recebe 3 euros, que são destinados a projetos ecológicos.
“Materiais como coltan e irídio são muito escassos no mundo”, explica Steffen Holzmann, responsável pelo projeto Eco-TI da Deutsche Umwelthilfe. “Por isso, tentamos fechar o ciclo de recursos para poder satisfazer a demanda em longo prazo. Não se pode abusar destes materiais como se fossem artigos descartáveis”, alerta.
Por serem raros, os materiais contidos em equipamentos de alta tecnologia são verdadeiros tesouros. Um exemplo: para obter um barril de cobre, é preciso processar mil toneladas de rochas. A mesma quantidade de cobre se encontra em 14 toneladas de sucata eletrônica.
Também a Suécia é pioneira na reciclagem eletrônica. Há vários anos, o país reaproveita os materiais de celulares e computadores velhos. Segundo os cálculos de uma organização sueca, de uma tonelada de celulares pode-se obter um quilo de prata e 300 gramas de ouro.
Enquanto nos países industrializados a prática de reciclar objetos eletrônicos está se expandindo crescentemente, a maioria dos países em desenvolvimento não tem nem tecnologia nem infra-estrutura para eliminar estes materiais de forma inofensiva ao meio ambiente.
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